terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Orgasmar a vida

Hoje ao passear pelas redes sociais encontrei um post, mais uma imagem, pois há imagens que às vezes dizem tudo, entre o sério e o a brincar. De inicio achei engraçado, uma forma diferente de pedir a quem gostamos que nos agite a vida.
Isso levou-me a alguns pensamentos um pouco mais profundos.
Temos pessoas que fazem parte da nossa vida e que são tipo uma moínha num dente, andam por ali a incomodar e vamos deixando assim como vamos adiando uma vida ao dentista. Outras no entanto têm a habilidade de nos agitar a vida, dando-lhe cores mais vibrantes. A essas enquadra-se este termo"orgasma-me a vida".
Mas o pior são aquelas pessoas que nem são moínha num dente e que vamos deixando andar ali a moer, nem nos orgasmam-me a vida. São aquelas que se orgasmam a si mesmas, dançando à nossa volta, pensando que nos estão a orgasmar e nós ficamos naquela de esperar o orgasmo sempre benvindo que nos arrebata, até que cansamos e dizemos: Ai foi tão bom! só para nos livrarmos daquele orgasmo individual e egoista de quem pensa e acha que nos está a dar prazer e no final só nos está a aborrecer.
A essas pessoas que se orgasmam pensando que nos estão a levar ao delirio, temos mesmo de deixar de fingir, temos de deixar de dizer"humm foi tão bom" e simplesmente dizer: porra já te orgasmaste? Pois olha que eu não, nem chegaste ao meu ponto B quanto mais ao G!
Precisamos sim de pessoas que nos orgasmem a vida, que nos levem ao delirio, que nos vibrem em cores e sons e sorrisos e abraços e carinho e ternura e gargalhadas e momentos intimos de silêncio onde as palavras não cabem porque os gestos nos confortam a alma.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ser mãe imperfeita

Se a mais antiga profissão do mundo é ser prostituta, a mais dificil profissão do mundo é ser mãe.
Não falo das dores sofridas ou não para os dar à luz, nem das noites mal dormidas, nem da nossa aflição quando dão uma queda ou ficam doentes e nos sentimos impotentes e incompetentes. Ser mãe é uma profissão para a qual não estudamos, não temos disciplinas que nos ensinem como fazer. Para a profissão de mãe não existe aquele livro que a minha tia me deu, de capa vermelha e letras douradas para me ajudar a ser dona de casa exemplar: A Mulher na Sala e na Cozinha. Ser mãe a gente aprende ali no duro, no batente de serviço de 24 sobre 24 horas. Vivemos uma vida de corre corre entre a ama ou o infantário ou a escola, a limpeza da casa, a lavagem da roupa, a nossa profissão, as brigas de irmãos, os ranhos que escorrem, as birras de não querer comer. Cada uma de nós mulheres que foi mãe, poucas vezes ou nenhumas segue o mesmo tipo de "ser mãe" das nossas próprias mães. Sentimos que devemos de agir de forma diferente e assim deve ser porque o mundo evolui, a realidade evolui e as crianças de hoje dificilmente poderão ser educadas como as de ontem. Temos a capacidade de ser o numero de mães que corresponde a cada filho que se tem, porque um filho é unico e especial e não é pelo facto de terem o mesmo ADN de mãe e pai que são iguais a seus irmãos, pelo que amamos a todos intensamente mas a cada um de forma diferente.
Neste mundo de hoje, aonde a realidade virtual supera a que se vive dentro de cada casa, de cada familia, vejo muitos posts ou publicações do tipo: A minha mãe é a melhor mãe do mundo! Como é que uma mãe pode ser a melhor mãe do mundo se não existe um padrão de medida para se ser a melhor mãe? O melhor aluno atinge nota 20, a melhor modelo tem aquelas medidas certinhas que consoante a época e os estilistas vão mudando, mas para ser mãe não tem medida nem nota. Porque mãe se adapta à época, ao dia a dia, aos filhos, a tudo. Ser mãe é crescer juntamente com os filhos e com eles. E quando eles crescem e se tornam adultos, olhamos para o que vão conquistando, para as suas realizações, ficamos felizes e orgulhosos quando superam as nossas expectativas e tristemente continuamos a amá-los intensamente mesmo quando erram.
Cada mulher que se torna mãe, forma-se e doutora-se mãe conforme pode, age certo tantas vezes e errado eventualmente outras tantas, porque mãe não é um ser super perfeito. Como filha, quantas vezes não me queixei da minha própria mãe. Achava eu, no alto da minha sabedoria que ela podia ter dado mais, mais carinho, mais conversa, compreensão, mais roupa, mais brinquedo. Hoje aprendi uma outra forma de amar a minha mãe, sabendo que ela me deu o que pode e o que soube dar e que foi muito mais que outras filhas  de outras mães tiveram.É certo que mãe é aquela que sabe amar e educar e não necessita de passar por um parto para ser mãe. Mas nós filhas, que nos queixamos de nossas mães e pensamos que as mães das nossas amigas foram melhores que as nossas deviamos de olhar para aquelas filhas que foram vendidas e escravizadas pelas suas próprias mães,  que foram colocadas na rua para roubar ou se virarem sózinhas, que foram abandonadas ou deixadas dias e dias ao abandono porque suas mães estavam se drogando e prostituindo. Aí realmente, vemos que não temos de que nos queixar, que os motivos que nos levam a pensar que podiamos ter recebido mais são tão mesquinhos, tão pequeninos. Que realmente podemos não ter tido a mãe que desejavamos mas tivemos na nossa vida uma mulher que lutou para nos dar à luz, nos dar de comer, nos colocar a estudar, vestir e calçar e que essa mulher não foi perfeita mas foi o melhor que conseguiu ser e esse melhor foi nosso e será sempre nosso.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Lágrima contida

Estamos a entrar naquela altura do ano em que o cansaço é extremo e os sentimentos andam à flor da pele. Reune-se todas as já cansadas energias para terminar todos os trabalhos e sentir com orgulho e satisfação que fizemos a nossa parte, que cumprimos se não todos os objectivos estabelecidos, pelo menos a sua maior parte  e aí sim, estar prontos para celebrar mais uma quadra natalicia.
Mesmo sentindo que o Natal em Angola não é a mesma coisa que na nossa terra, porque nos falta o principal: a família toda reunida, o frio de nos enregelar os ossos, as cidades enfeitadas, os espaços comerciais repletos de clientes, de decorações e de White Christmas no ar, conseguimos entrar em "modo Natal".
Ao entrar ou em vésperas de entrar em modo Natal, estamos mais permeáveis a emoções que no stress do dia a dia nem deixamos transparecer.
Engolindo lágrimas de desespero por tentar fechar o ano profissionalmente com a qualidade com que nos empenhamos durante todos os meses anteriores, engulo lágrimas por ouvir uma criança dizer: tia tenho fome. Engulo lágrimas por aquele que gatinha pela terra por não conseguir andar, engulo lágrimas pelo que rebusca no lixo algo que colocar na boca.
E todas essas lágrimas eu engulo ou disfarço, porque os que me motivam as lágrimas conseguem no entanto sorrir.
Um dia meu coração será feito de apenas lágrimas e minha alma meio completa.

Maior ingratidão: a mentira

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Todos nós já mentimos uma vez pelo menos na vida. Nem que seja aquela mentirinha insignificante que no fundo não prejudica nenhum e também não beneficie ninguém. Por vezes utilizamos a mentira para nos protegermos ou preservamos o nosso estado de alma ou espírito, como naqueles dias em que tudo nos corre mal, nos sentimos um caco e nos perguntam se estamos bem. A nossa resposta é sem duvida dizer que estamos bem, não vamos partilhar com um conhecido sentimentos que estão fervilhando dentro de nós e nos colocam em cacos. É uma mentira inocente.
O que a mim me custa e não suporto é a mentira usada para se sair favorecido de uma situação e em particular mentir-se a quem nos ajudou.
Quando ajudamos ajudamos de coração puro, sem pensar em obter algo em troca da ajuda prestada. E nesse espírito estamos sempre dispostos a ajudar, nada pedindo em troca a não ser a verdade e a honestidade.
Retribuírem
com mentira é a maior ingratidão.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Quero aprender a não stressar

Quero aprender a não stressar. Juro que quero. Acho que deve ser o melhor estado de alma e de espirito.
Entrámos na época da chuva e de muito calor. Se a chuva nos ensopa, o calor nos ensopa também em suor, sendo uma benção os espaços com ar condicionado.
Há duas semanas atrás choveu e não foram aquelas chuvas torrenciais que transformam estradas em autênticos rios de lama que o ano passado que inundaram a casa. Lembro-me de ir no carro numa estrada minimamente me bom estado para onde convergiam outras de terra e ter que contornar em marcha lenta uma viatura na estrada que estava avariada. isso permitiu que eu observasse numa dessas estradas de terra uma viatura ligeira de tamanho pequeno cuja roda da frente passar por cima de uma poça de agua, sendo que afinal a poça não era poça mas sim um buraco o que fez o carro ter ficado com a frente enterrada. O que me espantou e ao mesmo tempo me fez ter a consciência de que stresso é que o dono da viatura, havia saído do carro e mesmo ali tinha uma zungueira a vender cerveja, o que lhe levou ficar observando calmamente o carro com a frente enterrada no buraco e a beber calmamente a sua  cerveja.
Esta semana, num desses caminhos de terra parti o terminal de direcção do meu carro, pelo que a frente dele aterrou completamente no caminho. Valeu-me o facto de estar perto do local de trabalho e pedir ajuda para me virem resolver o problema do carro. Com a situação fiquei o que se pode dizer de cabelos em pé de tanto stress.
È esta uma das muitas coisas que este país tem de bom. Não há stress. Não há maka. Até mesmo quando vemos as pessoas a ficarem alteradas e perguntamos qual o problema a resposta é: Não há maka.
Quero mesmo aprender a não stressar. Quero mesmo aprender a não ter maka mesmo quando tenho problema para resolver.

Essa coisa dificil de uma relação a longo prazo

Quando nós começamos uma relação com outra pessoa e as coisas se tornam sérias porque o sentimento é forte, mantemos no entanto sempre uma certa postura de comportamento, até porque existe algo que se chama intimidade pessoal, individual.
Podemos até nos ir habituando à roupa espalhada pela casa fora do cesto da roupa suja, à lata de Coca-cola que ficou em cima do móvel ou a garrafa de cerveja vazia em cima da mesa quando podia estar no caixote do lixo. Mas há coisas que penso não nos habituarmos nunca.
Há dias em conversa com uma amiga sobre os nossos respectivos obtive mais ou menos este cenário - transmitido pela minha imaginação - da sua relação de já longo prazo.
No inicio da relação, num restaurante, ou mesmo em casa quando a ele lhe surgia um arroto, coisa perfeitamente normal de quem se sente saciado, havia o cuidado de colocar o guardanapo em frente da boca, dar o dito cujo e pedir perdão como mandam as regras da boa educação. Quando começaram a partilhar a mesma cama ele tinha o cuidado de se levantar e ir ao Wc soltar os gases.
O cenário hoje em dia é, em plena mesa, comer, beber e soltar o arroto tendo a habilidade, a destreza de conseguir ir buscá-lo lá bem no fundo e fazê-lo soar como um troar de clarinete cujo som se arrasta ou ainda como aquele momento em que os céus mandam uma trovoada e se ouvem nitidamente o troar dos relâmpagos seguidos alternando entre pequenos e grandes até terminar naquele ribombar enorme como se tivesse caido junto de nós. È certo que ele continua a dizer: perdão. Ao menos isso.
Na parte dos gases antigamente soltados em privacidade no WC, aí o cenário é bem pior. São muitas as noites em que ela tem que fugir da cama acordada pela explosão que eclode a seu lado, ou pelo cheiro nauseabundo que a faz pensar que fossa entupiu e a porcaria está espalhada por toda a sua casa. São soltadas autênticas bombas com a maior satisfação e gozo, pois a gargalhada é presente sempre neste cenário. Aliás segundo ouvi, a intensidade dos mesmos e mesmo o cheiro é partilhado por ele e a sua própria família como se fosse a maior festa de que houve memória.
Quando ele vai para o WC para evacuar, acho que o faz de porta aberta, pelo que para ela é completamente audivel o troar de tambores e tambores, ficando imobilizada imaginado que a sanita não irá aguentar tanta pressão e irá rebentar. Missão impossivel utilizar o Wc na próxima meia hora para ela.
Realmente uma relação a longo prazo é feita de muita partilha e vivência, mas na minha opinião há certas coisas que fazem parte da nossa própria privacidade individual que não deve ser partilhada com a nossa cara metade.

Gosto de gente que vai lá e faz

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Sou daquelas pessoas que quando é para fazer vai lá e faz. Não importa o que. E se não faço rasgo-me toda por dentro durante muito tempo por não o ter feito. Existe aquele tipo de pessoa que pensa, repensa e fala da ideia que teve. Ideia de construir algo, de tomar uma acção com outrém, de remodelar, de inovar. O tempo passa e essa pessoa continua a pensar, a planear e a falar do que quer fazer. Mas, porra que não levanta o cu e vai lá e faz.
Se essa pessoa faz parte do circulo de pessoas que me rodeiam, então podem crer, ela pensa, ela, planeia e ela fala. Quando ela volta a pensar, a planear e a falar, aí...canso. Agarro e vou lá e faço e depois "trepo as paredes" de raiva quando me diz: hum se tivesse sido feito antes daquela outra maneira, teria sido melhor.
Cresci a ouvir: não deixes para amanhã o que podes fazer hoje!
Para mim não dá, se é para fazer...FAZ. Se é para dizer...DIZ.
Acredito que o grande parte do mal mundial é mesmo o facto de muitos pensarem, planearem mas se acomodarem em suas cadeiras e nada fazerem esperando que alguém vá fazer o trabalho por elas.
Já chega! Vai lá e faz sim???

Não procure a felicidade onde a perdeu

Resultado de imagem para paraisosO que nos faz feliz? Pessoas, coisas, lugares. Uma pessoa pode nos fazer feliz para a vida inteira ou talvez não. Um lugar onde nos sentimos feliz dificilmente será um lugar a abandonar. A "coisa" que nos faz feliz dificilmente nos deixaremos afastar dela. Existe em nós a necessidade imperiosa de nos sentirmos felizes. Como também existe em nós o sentimento de por vezes sentir que não somos felizes o suficiente, que poderíamos ser ainda mais felizes. E aí partimos em busca da 4ª e 5ª essência da felicidade. Vamos avidamente em busca de um sentimento que felicidade que nos transcenda, que nos rebente o coração a alma e as entranhas. Estabelecemos patamares mais elevados e partimos em busca do que sentimos que nos falta, para depois em muitos casos, olharmos para trás e sentirmos que afinal houve um momento, um lugar uma pessoa que nos fez mais feliz que nos sentimos agora. E quem de nós decide voltar atrás ao lugar ou à pessoa que nos transmitiu essa felicidade constatamos tristemente que já não sentimos aquela mesma felicidade intensa que havíamos sentido. Porquê? porque quando partimos em busca de algo mais, algo dentro de nós mudou, acrescentámos experiências e sentimentos à nossa própria essência e esse lugar ou essa pessoa que nos deu essa felicidade também mudou. E nada mais volta a ser igual. Por isso quando nos sentimos felizes, aproveitemos, estimulemos o crescimento dessa felicidade, porque se partimos em busca do que pensamos mais além estar a felicidade, dificilmente voltaremos a encontrar a felicidade onde a deixámos.