Se a mais antiga profissão do mundo é ser prostituta, a mais dificil profissão do mundo é ser mãe.
Não falo das dores sofridas ou não para os dar à luz, nem das noites mal dormidas, nem da nossa aflição quando dão uma queda ou ficam doentes e nos sentimos impotentes e incompetentes. Ser mãe é uma profissão para a qual não estudamos, não temos disciplinas que nos ensinem como fazer. Para a profissão de mãe não existe aquele livro que a minha tia me deu, de capa vermelha e letras douradas para me ajudar a ser dona de casa exemplar: A Mulher na Sala e na Cozinha. Ser mãe a gente aprende ali no duro, no batente de serviço de 24 sobre 24 horas. Vivemos uma vida de corre corre entre a ama ou o infantário ou a escola, a limpeza da casa, a lavagem da roupa, a nossa profissão, as brigas de irmãos, os ranhos que escorrem, as birras de não querer comer. Cada uma de nós mulheres que foi mãe, poucas vezes ou nenhumas segue o mesmo tipo de "ser mãe" das nossas próprias mães. Sentimos que devemos de agir de forma diferente e assim deve ser porque o mundo evolui, a realidade evolui e as crianças de hoje dificilmente poderão ser educadas como as de ontem. Temos a capacidade de ser o numero de mães que corresponde a cada filho que se tem, porque um filho é unico e especial e não é pelo facto de terem o mesmo ADN de mãe e pai que são iguais a seus irmãos, pelo que amamos a todos intensamente mas a cada um de forma diferente.
Neste mundo de hoje, aonde a realidade virtual supera a que se vive dentro de cada casa, de cada familia, vejo muitos posts ou publicações do tipo: A minha mãe é a melhor mãe do mundo! Como é que uma mãe pode ser a melhor mãe do mundo se não existe um padrão de medida para se ser a melhor mãe? O melhor aluno atinge nota 20, a melhor modelo tem aquelas medidas certinhas que consoante a época e os estilistas vão mudando, mas para ser mãe não tem medida nem nota. Porque mãe se adapta à época, ao dia a dia, aos filhos, a tudo. Ser mãe é crescer juntamente com os filhos e com eles. E quando eles crescem e se tornam adultos, olhamos para o que vão conquistando, para as suas realizações, ficamos felizes e orgulhosos quando superam as nossas expectativas e tristemente continuamos a amá-los intensamente mesmo quando erram.
Cada mulher que se torna mãe, forma-se e doutora-se mãe conforme pode, age certo tantas vezes e errado eventualmente outras tantas, porque mãe não é um ser super perfeito. Como filha, quantas vezes não me queixei da minha própria mãe. Achava eu, no alto da minha sabedoria que ela podia ter dado mais, mais carinho, mais conversa, compreensão, mais roupa, mais brinquedo. Hoje aprendi uma outra forma de amar a minha mãe, sabendo que ela me deu o que pode e o que soube dar e que foi muito mais que outras filhas de outras mães tiveram.É certo que mãe é aquela que sabe amar e educar e não necessita de passar por um parto para ser mãe. Mas nós filhas, que nos queixamos de nossas mães e pensamos que as mães das nossas amigas foram melhores que as nossas deviamos de olhar para aquelas filhas que foram vendidas e escravizadas pelas suas próprias mães, que foram colocadas na rua para roubar ou se virarem sózinhas, que foram abandonadas ou deixadas dias e dias ao abandono porque suas mães estavam se drogando e prostituindo. Aí realmente, vemos que não temos de que nos queixar, que os motivos que nos levam a pensar que podiamos ter recebido mais são tão mesquinhos, tão pequeninos. Que realmente podemos não ter tido a mãe que desejavamos mas tivemos na nossa vida uma mulher que lutou para nos dar à luz, nos dar de comer, nos colocar a estudar, vestir e calçar e que essa mulher não foi perfeita mas foi o melhor que conseguiu ser e esse melhor foi nosso e será sempre nosso.