domingo, 4 de dezembro de 2016

Essa coisa dificil de uma relação a longo prazo

Quando nós começamos uma relação com outra pessoa e as coisas se tornam sérias porque o sentimento é forte, mantemos no entanto sempre uma certa postura de comportamento, até porque existe algo que se chama intimidade pessoal, individual.
Podemos até nos ir habituando à roupa espalhada pela casa fora do cesto da roupa suja, à lata de Coca-cola que ficou em cima do móvel ou a garrafa de cerveja vazia em cima da mesa quando podia estar no caixote do lixo. Mas há coisas que penso não nos habituarmos nunca.
Há dias em conversa com uma amiga sobre os nossos respectivos obtive mais ou menos este cenário - transmitido pela minha imaginação - da sua relação de já longo prazo.
No inicio da relação, num restaurante, ou mesmo em casa quando a ele lhe surgia um arroto, coisa perfeitamente normal de quem se sente saciado, havia o cuidado de colocar o guardanapo em frente da boca, dar o dito cujo e pedir perdão como mandam as regras da boa educação. Quando começaram a partilhar a mesma cama ele tinha o cuidado de se levantar e ir ao Wc soltar os gases.
O cenário hoje em dia é, em plena mesa, comer, beber e soltar o arroto tendo a habilidade, a destreza de conseguir ir buscá-lo lá bem no fundo e fazê-lo soar como um troar de clarinete cujo som se arrasta ou ainda como aquele momento em que os céus mandam uma trovoada e se ouvem nitidamente o troar dos relâmpagos seguidos alternando entre pequenos e grandes até terminar naquele ribombar enorme como se tivesse caido junto de nós. È certo que ele continua a dizer: perdão. Ao menos isso.
Na parte dos gases antigamente soltados em privacidade no WC, aí o cenário é bem pior. São muitas as noites em que ela tem que fugir da cama acordada pela explosão que eclode a seu lado, ou pelo cheiro nauseabundo que a faz pensar que fossa entupiu e a porcaria está espalhada por toda a sua casa. São soltadas autênticas bombas com a maior satisfação e gozo, pois a gargalhada é presente sempre neste cenário. Aliás segundo ouvi, a intensidade dos mesmos e mesmo o cheiro é partilhado por ele e a sua própria família como se fosse a maior festa de que houve memória.
Quando ele vai para o WC para evacuar, acho que o faz de porta aberta, pelo que para ela é completamente audivel o troar de tambores e tambores, ficando imobilizada imaginado que a sanita não irá aguentar tanta pressão e irá rebentar. Missão impossivel utilizar o Wc na próxima meia hora para ela.
Realmente uma relação a longo prazo é feita de muita partilha e vivência, mas na minha opinião há certas coisas que fazem parte da nossa própria privacidade individual que não deve ser partilhada com a nossa cara metade.

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