Estamos a entrar naquela altura do ano em que o cansaço é extremo e os sentimentos andam à flor da pele. Reune-se todas as já cansadas energias para terminar todos os trabalhos e sentir com orgulho e satisfação que fizemos a nossa parte, que cumprimos se não todos os objectivos estabelecidos, pelo menos a sua maior parte e aí sim, estar prontos para celebrar mais uma quadra natalicia.Mesmo sentindo que o Natal em Angola não é a mesma coisa que na nossa terra, porque nos falta o principal: a família toda reunida, o frio de nos enregelar os ossos, as cidades enfeitadas, os espaços comerciais repletos de clientes, de decorações e de White Christmas no ar, conseguimos entrar em "modo Natal".
Ao entrar ou em vésperas de entrar em modo Natal, estamos mais permeáveis a emoções que no stress do dia a dia nem deixamos transparecer.
Engolindo lágrimas de desespero por tentar fechar o ano profissionalmente com a qualidade com que nos empenhamos durante todos os meses anteriores, engulo lágrimas por ouvir uma criança dizer: tia tenho fome. Engulo lágrimas por aquele que gatinha pela terra por não conseguir andar, engulo lágrimas pelo que rebusca no lixo algo que colocar na boca.
E todas essas lágrimas eu engulo ou disfarço, porque os que me motivam as lágrimas conseguem no entanto sorrir.
Um dia meu coração será feito de apenas lágrimas e minha alma meio completa.
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