Com quatro dias de férias pela frente, uma Passagem de Ano para celebrar decidi rumar a outras paragens para mim ainda desconhecidas, embora com o coração na mão, com receio de o carro vir a reboque.
Voltei a Porto Amboim, até agora uma das minhas vilas de eleição, especialmente pela parte mais velha da cidade que a pouco e pouco se vai reconstruindo, com pouco comércio e uma marginal com alguns bons restaurantes. Foi num desses que tivemos o nosso penultimo almoço de 2016, rumando depois para sul até ao Sumbe. Ao fazer a descida que nos leva à cidade, vemos bastante pobreza, iluminada pela vista da baía. Do Sumbe, tirando a marginal que se encontra mais ou menos em bom estado, todas as ruas estão a necessitar de obras, penso que devido às enxurradas de águas pluviais que descem dos morros. Surpreende-me a forma como em todas as encostas se vê casas de capim e argila e as mesmas ou sofrem obras cada vez que chove ou demonstram ser mais resistentes que as estradas alcatroadas da cidade. A cidade em sim está munida de vários edifícios, alguns em construção de raiz, de serviços estatais.
Depois de procurar alojamento e escolhendo um junto ao mar na marginal, fomos em busca de um local onde celebrar a entrada num novo ano. Foi-nos aconselhado um restaurante bem perto do hotel. Ali tratámos de saber pormenores e ficámos a saber que a compra de ingressos só poderia ser feita no dia seguinte e que a festa começaria às 23 horas, com musica com várias caras de cartaz e churrasco de um boi.
No dia 31, começamos a ver chegar camiões com som e decorações, e durante o resto do dia ouvíamos a testagem do som. Às 23 horas, munidos dos bilhetes previamente comprados apresentamos na recepção do evento trajando de branco conforme era solicitado e foi nos informado que ainda não tinha começado, que estavam a acabar de arrumar as coisas. na recepção viam-se caixas e caixas de Cuca, Tigra, Sprit, pelo que inquiri se as bebidas eram para a festa pois aquela hora era de estranhar não estarem já arrumadas e a refrescar. Fui informada que eram apenas o reforço que as bebidas já estavam no gelo. Pediram que aguardasse mais 10 minutos que a festa já ia começar.
15 minutos depois, voltei à recepção e como tudo se mantinha na mesma acrescido ainda do facto de ver carros a chegar carregados de bancos e outros de sacos de gelo, pedi para chamar o responsável, pois queria a devolução dos valores que já havia pago e ia procurar outro local onde passar o ano.
Quando o dito responsável chegou pasmei com o que ouvi. As pessoas ainda não tinham chegado para a festa, que era mesmo assim, só la para as 2 ou 3 da manha é que iam chegar, que eu aguardasse, mostrou o boi a assar na brasa que ainda estava em sangue pelo que vestígios de jantar na próxima meia hora não me pareceu que acontecesse, que estava tudo a ser preparado e que se ia festejar, que eu aguardasse. Mostrei a minha revolta pois queria jantar mas mais do que isso queria celebrar a passagem do ano às 00h00 e fiquei pasma quando oiço o responsável diser que se iria festejar que se não fosse às 00h00 seria às 01h00 e foi atender outros clientes, indianos, que também reclamavam.
Neste entretanto e após alguma meditação aprendi pelo teor das conversas que ia ouvindo por parte dos responsáveis do evento que isto de querer celebrar mesmo às 00h00 era uma questão de cultura, portanto quem estava errada era eu. De tudo ainda que ouvi, cheguei à conclusão de que a malta de eventos de Luanda que não encontra espaço na capital para este tipo de celebrações decidi ir fazê-los para a provincia, achando-se os maiores por serem da capital, com um bruto som e tal e que os da provincia até deviam estar agradecidos pela sua presença pois estão a levar-lhes cultura, um evento magnifico que ficará para as páginas da história da cidade província. Assim sendo e estando eu em Luanda já a alguns anos, armei-me do mesmo tipo de armas que eles: fotografei a malta ainda a descarregar gelo e bancos, o convite, o local apenas com pessoal da empresa de eventos a arrumar as coisas e chamei novamente o responsável voltando a exigir a devolução dos valores por incumprimento do anunciado: festa com inicio às 23h00. No inicio recusou a devolução, mas quando falei que tinha estado a semana passada em reunião com o Director do Turismo em Luanda e que iria voltar a estar com ele, ( que me perdoe este Director que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente mas de quem já ouvi falar) muito renitente ordenou o reembolso das entradas. Partimos e no primeiro local que vimos engalanado para as celebração do Ano, parámos, fomos bem recebidos, ainda conseguimos jantar a correr e engolindo a ultima garfada de comida fomos a tempo de abrir a garrafa de champanhe quando anunciavam 2017!!!
O resto da noite será outra história, muito mais prazeirosa.
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